Regressem...
Regressem, minhas crianças, regressem. Regressem no embalo da vontade de continuar a viver de acordo com aquilo que a natureza humanizada nos deu.
Regressem, vão pela primeira vez; sintam a vossa essência abraçada ao poder da vida. Regressem sem medo , regressem sem os medos dos outros.
Regressem, revoltem, revelem que nada passa de um susto e que nada se transformou além disso... Regressem os mais pequenos e façam sentir aos maiores que tudo se fez ver num grande pesadelo, e transformou-se num sonho ido, esquecido, inválido, desaparecido.
Regressem crianças... regressem e voltem mais logo para contar como foi, contrariando qualquer lead de notícia, contrariando qualquer chamada de capa, contrariando qualquer parangona de jornais, qualquer voz, qualquer timbre de pivot televisivo que assusta à primeira sílaba.
Regressem mais fortes a casa para voltarem a sair de manhã com o escudo a que só a verdadeira inocência se permite. Viver e desejar que seja assim para sempre.
